Justiça e Direitos
Objetivos de Curto, Médio e Longo Prazo
Propostas concretas de alteração legislativa e operacional ao processo de reparação.
Para que o processo de reparação deixe de ser uma concessão unilateral e passe a ser um ato de justiça transparente e democrático, a Associação DAR VOZ AO Silêncio defende as seguintes propostas concretas de alteração legislativa e operacional, a apresentar brevemente ao Parlamento Português:
Entrega Obrigatória do Relatório Individual
Garantir que todas as vítimas tenham direito a receber uma cópia integral, escrita e fundamentada do relatório de avaliação psicológica e pericial emitido pelas comissões, que serviu de base à decisão sobre o seu caso.
Revisão do Artigo 15.º do Regulamento
Alterar a redação deste artigo para eliminar ambiguidades normativas que limitam os critérios de elegibilidade temporal ou institucional, alargando o âmbito de proteção a todos os contextos onde existiu responsabilidade eclesiástica.
Instituição do Direito de Recurso
Criação de uma instância arbitral ou comissão de recurso autónoma e externa à hierarquia da Igreja Católica, permitindo às vítimas contestar decisões de indeferimento ou montantes indemnizatórios que considerem inadequados.
Participação Ativa das Vítimas
Obrigatoriedade de inclusão de representantes das associações de vítimas na orgânica de decisão e reestruturação dos mecanismos de apoio e reparação.
Consolidação de uma Comissão Independente
Substituição do atual modelo de tutela eclesiástica por uma estrutura inteiramente autónoma e independente, dotada de recursos técnicos e científicos próprios e livre de interferências confessionais.
Fiscalização Parlamentar Permanente
Criação de uma comissão de acompanhamento na Assembleia da República para monitorizar a execução política, legal e humanitária de todo o processo de reparação em território nacional.
Realização de uma Auditoria Externa
Promoção de uma auditoria financeira e procedimental independente a todas as verbas, candidaturas, deferimentos e rejeições registados desde o início do funcionamento dos fundos diocesanos e comissões associadas.
Revisão Global do Regulamento de Compensações
Reestruturação do regulamento da CEP para eliminar tetos indemnizatórios arbitrários, balizando os valores em critérios estritamente jurídicos e de direito civil idênticos aos aplicados pelos tribunais portugueses.
Cumprimento Efetivo do Acompanhamento Psicológico
Garantia de que o apoio terapêutico e psiquiátrico prometido seja vitalício, gratuito, descentralizado e executado por profissionais do Serviço Nacional de Saúde ou entidades terceiras totalmente independentes da Igreja.
Informação Periódica e Proativa às Vítimas
Implementação de um canal de comunicação obrigatório que preste esclarecimentos regulares aos requerentes sobre o estado de evolução dos seus processos, erradicando o atual vazio informativo.
